Postado em 08 de setembro de 2016

O mercado de Automação Residencial é pra gente grande

Leandro Augusto
Diretor da Automatize

Mania típica de brasileiro: “eu vou ‘mexer’ com isso, pois me falaram que está dando dinheiro”. Eu não tenho nada contra essa mania, acredito que seja uma boa mania, isso é empreender, mas exige profissionalismo, ética e competência.

O mercado de automação residencial cresceu muito nos últimos anos: pegou carona com o “boom” da construção civil e com a entrada de diversos fabricantes no mercado brasileiro. Mas todo mercado tem seus defeitos, e o mercado de automação residencial não é diferente.

Uma figura muito típica desse mercado é o integrador. Esse pode ser uma pessoa física ou uma pessoa jurídica (revenda). O que muitos dos consumidores desse mercado não sabem é sobre a real competência desse integrador.

A automação residencial é a integração de diversos produtos eletrônicos que estão intrinsecamente ligados à estrutura elétrica e de telecomunicação de uma residência. O que temos visto é “integradores” sem qualificações técnicas básicas se aventurando nesse mercado. Esse “integrador” não tem um mínimo de conhecimento (descente) sobre potência de cargas elétricas, aterramento elétrico, dispositivos de proteção, normas (destaco aqui a NBR 5410: instalações elétricas de baixa tensão), etc. Não vou me alongar muito, mas posso dizer que isso é sério. Para fazer uma analogia bem simples, eu diria que contratar um “integrador” desse tipo é a mesma coisa que chamar o limpador de piscina (que é especialista em limpar piscinas, obviamente) do seu condomínio para resolver o problema elétrico da sua casa (a não ser que ele seja um eletricista). Automação residencial é solução de engenharia.

Lamento, mas as deficiências não param por aí. Estamos com um mercado inundado de “integradores” que começaram seus negócios, lá atrás, no mercado de áudio e vídeo. Aquela mesma pessoa que instala uma televisão, um receiver e algumas caixas de som, sim, ela também está se aventurando nesse mercado. Nada contra, desde que tenha qualificações técnicas. E não é isso que tenho visto nesses 10 (dez) anos de atuação nesse mercado. Aquela mesma pessoa que atravessa a Ponte da Amizade (Brasil-Paraguai) mensalmente, que traz produtos contrabandeados e sem garantia e que não paga impostos, estão por aí se aventurando. E para piorar, tenho visto que fabricantes e distribuidores de produtos de automação residencial não estão tendo a mínima decência de escolher e capacitar suas revendas. É só ligar para o distribuidor e pedir a lista de preços que você já se torna um “integrador”.

Agora, uma coisa boa, muito boa: é a certeza que o mercado está filtrando os bons e os ruins. É o que tenho visto, também, ultimamente. A nossa missão é levar o que podemos de informação aos nosso consumidores para que esses saibam comparar produtos e empresas desse mercado. A automação residencial exige projetos, supervisão de obras, venda e pós-venda, também. Ou seja, é para empresas sérias, com corpo técnico qualificado, com gestão, com competência e com seriedade. É pra gente grande!